sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O “calçado ortopédico”

Durante muitos anos, as crianças eram vistas como portadoras de defeitos nos pés (onde o principal era o “pé chato”), que seriam passíveis de correção ortopédica com calçados duros, altos, com contraforte reforçado, palmilhas com apoios e elevações.

Nesta época, a indústria calçadista lançava modelos de calçados ortopédicos, com palmilhas internas que procuravam atender à maioria daquelas indicadas nos tratamentos para os “pés chatos”.

Há mais de 20 anos estes paradigmas foram derrubados através de estudos de evidências médicas, que acabaram por definir poucas e raras patologias ortopédicas, que afetam os pés na primeira infância: o pé torto congênito, o pé com astrágalo vertical, o pé metatarso varo, o pé eqüino, etc. Para estes pés existem tratamentos específicos, inclusive cirúrgicos, cuja decisão depende de avaliação médica por ortopedista.

O famoso “pé chato” encontrado em crianças abaixo dos três anos de idade, no início de sua postura ortostática (de pé), nada mais é que uma fraqueza fisiológica da musculatura da planta do pé, que com o tempo vai se fortalecendo e formando o arco.

Os estudos científicos comprovam que este pé chato clássico se corrige naturalmente com o crescimento da criança, COM, SEM OU APESAR DO USO DE BOTAS E PALMILHAS ORTOPÉDICAS.

Cabe discutir o que é ideal para que uma criança tenha uma evolução saudável e fisiológica de seus pés. É bom ficar descalça? Deve ficar calçada?

Descalça, em termos ortopédicos, a criança pode ter uma evolução normal de seus pés, porém, considerando a saúde como um todo, tem risco de adquirir doenças parasitárias ou de ferir-se com objetos cortantes e infectados.

Então, para que não prejudique o desenvolvimento e crescimento, o que se espera de um calçado para a criança?

O ideal é um calçado que seja ao mesmo tempo, protetor dos pés e que permita uma situação de liberdade de movimentos tal, que a criança se sinta descalça.

O conhecimento científico atual preconiza às crianças, calçados, que sejam acima de tudo CONFORTÁVEIS. Por conforto se entende leveza, flexibilidade, ausência de atrito com saliências ósseas dos pés e material antialérgico. No mesmo sentido, o calçado deve promover estabilidade para a criança se movimentar livremente e para tal, não deve ser muito deslizante ou com solas antiderrapantes ao extremo, não deve ter salto acima do mínimo, pois poderia facilitar acidentes por queda.

Quanto ao tamanho, o calçado ideal deve ser um número acima do medido, para permitir a mobilidade fisiológica dos dedos para boa evolução da musculatura plantar, e, ao mesmo tempo não ficar saindo do pé, o que causa desconforto.

JOÃO CARLOS D´ELIA

MÉDICO ORTOPEDISTA, ERGONOMISTA

Atuação em Ortopedia Infantil

Um comentário:

  1. Bem legal a matéria!é muito importante comprar um calçado confortavel para a criança e que não a prejudique de forma alguma.

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