sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Hoje, elas são fofas. E amanhã?

Foi-se o tempo que criança saudável era criança gordinha. Hoje o cenário é assustador. De acordo com dados do IBGE, cerca de 10% das crianças e adolescentes brasileiros possui sobrepeso e 7,3% sofrem de obesidade.

E de onde vem essa obesidade?

Vários fatores tem influência sobre a obesidade, dentre eles: fatores genéticos, ambientais, sociais, econômicos, etc...

As classes sociais que mais possuem casos de obesidade infantil são a média e alta. “Estudos brasileiros mostram que nas escolas privadas a prevalência de sobrepeso e obesidade é maior que nas escolas públicas e este dado se justifica pelo acesso mais fácil das crianças de nível sócio-econômico melhor a alimentos ricos em gorduras e açúcares simples, assim como as modernidades tecnológicas que elas têm acesso e que levam ao sedentarismo.

Sendo assim, a prevenção desde o nascimento é importante, tendo em vista que os hábitos alimentares são formados nos primeiros anos de vida. Uma vez habituada a grande concentração de açúcar ou sal, a tendência da criança é rejeitar outras formas de preparação do alimento. A ingestão de alimentos com alta densidade energética pode prejudicar a qualidade da dieta, resultando no aumento do peso e na ingestão deficiente de micronutrientes.

Portanto, a falta de exercícios e a alimentação inadequada são os principais culpados pelos quilos a mais e os prejuízos são enormes: além do impacto na auto-estima, aumenta a chance de problemas ortopédicos, de infecções respiratórias e de pele, hipertensão, colesterol elevado, diabetes mellitus tipo 2, apnéia do sono e problemas psico-sociais. E estes problemas tendem a piorar na fase adulta, pois uma criança obesa tem grandes chances de ser um adulto obeso.

Reverter o quadro é resultado de uma série de fatores e, por isso o tratamento deve ser multidisciplinar (pediatra, nutricionista, psicólogo e educador físico).

Constrangimentos e repreensões em público ou na hora das refeições são cargas difíceis de suportar por indivíduos tão imaturos. Por isso, a família não pode exigir que a criança tenha um comportamento coerente em relação a esta questão. O apoio familiar junto ao tratamento realizado com profissionais que entendem do assunto é a melhor escolha para eliminar o peso de forma sustentável.

Dra. Ariana Galhardi Lira - Nutricionista

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

De volta à rotina escolar

Tão importante quanto seguir os horários no período escolar, praticar as atividades extras, fazer lição e dormir cedo, é não fazer nada disso durante as férias. Não tem coisa mais gostosa do que não ter horário para nada. Poder dormir até tarde, ficar no sofá vendo televisão e jogando videogame, trazer os amigos para passar o dia em casa, poder ver televisão até mais tarde, enfim ficar livre dos horários rígidos são comportamentos próprios do período de férias. Esta mudança total de rotina é muito importante principalmente para que a criança e o adolescente perceba que tudo tem o seu momento certo. Esta semana iniciou-se o segundo semestre escolar e os estudantes tiveram que retornar à rotina anterior. Não deve ter sido nada fácil retomar os horários e as atividades. Porém é muito importante que haja esta mudança, pois se tudo continuasse sempre igual não seria desenvolvida a responsabilidade. Cabe aos pais orientar os filhos principalmente sobre os horários a serem cumpridos neste novo período. Mesmo que antes do início das férias a criança e o adolescente estivessem engrenados com os horários e atividades, no período de férias tudo é “desativado”, tendo que ser resgatado no retorno às aulas. Os pais têm que lembrá-los das obrigações e da organização do tempo. Tem que haver um tempo para estudar, fazer as tarefas, ler, se alimentar e se divertir. Será justamente respeitando os horários e cumprindo os deveres que a responsabilidade vai sendo desenvolvida. O retorno às aulas também é importante para reencontrar os amigos e os professores. Frequentar o ambiente escolar é extremamente prazeroso e temos que incentivar esta prática ao máximo. Nos primeiros dias de aula após as férias há muita coisa para se partilhar. Cada um teve uma experiência diferente e contar para os amigos é muito gratificante. Este tempo de férias, o qual todos relaxaram, propicia um entusiasmo para se dedicar aos estudos quando retornam às aulas. Assista a esta reportagem e veja quão importante é dar um tempo nesta rotina puxada. Neste segundo semestre é importante também que os pais fiquem atentos ao desempenho dos filhos nos estudos. Acompanhar a rotina escolar do filho é fundamental para identificar os motivos que geraram notas baixas. Os pais podem identificar se foi falta de empenho, de interesse ou se o filho está com dificuldades em acompanhar o conteúdo. A parceria família-aluno-escola é fundamental para se obter bons resultados. O aluno que está encontrando dificuldades terá todo este segundo semestre para se recuperar. Para isto é importante que os pais entrem em contato com o professor e obtenham orientações de como devem proceder. Deixar para tomar estas atitudes no final do ano é ineficaz, pois não se terá tempo hábil para promover mudanças. Então, mãos à obra e vamos estudar para não tirar notas baixas e, consequentemente, não ficar para recuperação e ficar de férias por muito mais tempo. E como está sendo esta semana de retorno às aulas? Seu filho está motivado? Compartilhe conosco. Autor: Cybele Meyer: mãe, educadora, blogueira, pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, e em Docência do Ensino Superior e tutoria em Docência em Ensino a Distância. Mãe de Camila, 28 anos, Bruno, 26 anos e Caroline 24 anos. Fonte: http://www.maecomfilhos.com.br/index.php/2010/08/05/de-volta-a-rotina-escolar/

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O “calçado ortopédico”

Durante muitos anos, as crianças eram vistas como portadoras de defeitos nos pés (onde o principal era o “pé chato”), que seriam passíveis de correção ortopédica com calçados duros, altos, com contraforte reforçado, palmilhas com apoios e elevações.

Nesta época, a indústria calçadista lançava modelos de calçados ortopédicos, com palmilhas internas que procuravam atender à maioria daquelas indicadas nos tratamentos para os “pés chatos”.

Há mais de 20 anos estes paradigmas foram derrubados através de estudos de evidências médicas, que acabaram por definir poucas e raras patologias ortopédicas, que afetam os pés na primeira infância: o pé torto congênito, o pé com astrágalo vertical, o pé metatarso varo, o pé eqüino, etc. Para estes pés existem tratamentos específicos, inclusive cirúrgicos, cuja decisão depende de avaliação médica por ortopedista.

O famoso “pé chato” encontrado em crianças abaixo dos três anos de idade, no início de sua postura ortostática (de pé), nada mais é que uma fraqueza fisiológica da musculatura da planta do pé, que com o tempo vai se fortalecendo e formando o arco.

Os estudos científicos comprovam que este pé chato clássico se corrige naturalmente com o crescimento da criança, COM, SEM OU APESAR DO USO DE BOTAS E PALMILHAS ORTOPÉDICAS.

Cabe discutir o que é ideal para que uma criança tenha uma evolução saudável e fisiológica de seus pés. É bom ficar descalça? Deve ficar calçada?

Descalça, em termos ortopédicos, a criança pode ter uma evolução normal de seus pés, porém, considerando a saúde como um todo, tem risco de adquirir doenças parasitárias ou de ferir-se com objetos cortantes e infectados.

Então, para que não prejudique o desenvolvimento e crescimento, o que se espera de um calçado para a criança?

O ideal é um calçado que seja ao mesmo tempo, protetor dos pés e que permita uma situação de liberdade de movimentos tal, que a criança se sinta descalça.

O conhecimento científico atual preconiza às crianças, calçados, que sejam acima de tudo CONFORTÁVEIS. Por conforto se entende leveza, flexibilidade, ausência de atrito com saliências ósseas dos pés e material antialérgico. No mesmo sentido, o calçado deve promover estabilidade para a criança se movimentar livremente e para tal, não deve ser muito deslizante ou com solas antiderrapantes ao extremo, não deve ter salto acima do mínimo, pois poderia facilitar acidentes por queda.

Quanto ao tamanho, o calçado ideal deve ser um número acima do medido, para permitir a mobilidade fisiológica dos dedos para boa evolução da musculatura plantar, e, ao mesmo tempo não ficar saindo do pé, o que causa desconforto.

JOÃO CARLOS D´ELIA

MÉDICO ORTOPEDISTA, ERGONOMISTA

Atuação em Ortopedia Infantil